Verdades mesmo descontentes, desesperadamente gritadas em portugues. Mentiras como canto torto, feito faca cortando a carne de voces. Nao me pergunte por onde andei, eu me desesperava, nem por onde andarei pois é tempo de sonhar. De deitar, descansar os olhos, deixar a cabeça voar pro mais longe que o corpo permitir. Tenho 21 anos de sonho e sangue, e por força deste destino o tango argentino, realmente me vai bem melhor que o blues. Marcas, cicatrizes que ficam, e que nos mostram eternos erros, grandes equivocos. De tudo fica um pouco, do bom resta pouco, e do pouco resta mais ainda. Horas inuteis, perdidas e gastas com ignorancias sem fundamentos. Trocando em miudos frustraçoes baratas, mesquinhas e egoistas, sem nenhuma importancia. Pra que perder tempo vendo o estrago que faz se a vida é tao curta pra ver? O tempo bate na porta, e eu bebo um pouquinho pra ter argumento, fico sem jeito, calada, e ele ri, zomba do quanto eu chorei, porque sabe passar e eu nao sei. Despenco de um abismo, cravado pela fronteira entre o ser e o estar, ser ou nao ser, eis a questao! Ora se nao sou quem mais vai decidir o que é bom pra mim, e no final assim calado eu sei, que vou ser coroado rei de mim. Santa que nada, tentei me defender através de palavras, que bobagem! Permito-me errar, permito que errem comigo, mas que nao se repita. Reconheço fraquezas, sim, as pernas tremem e o ar falta, fruto de uma inspiraçao quieta, quente, viva, de nome desconhecido. Já me perdi de mim, e voltei e pra casa, acordei lucida e decidida a ser eu mesma por muitas vezes (e as vezes até funcionou). Sei do que devo ou nao dizer, de tudo que já quis fazer, sei melhor do que ninguem da historia de mim mesma,e de cada garrafa de culpa ou copo de inocencia que bebi, e do tempo que passou. Decorei minhas cartas, meus roteiros, minhas falas, e te conto cada espisodio da minha historia. Trouxe sempre em mim a capacidade de mudar, de amar, e de fazer tudo melhor, as vezes consegui, outras falhei. Como o tempo! Respondo que ele aprisiona, eu liberto. Que ele adormece as paixões, eu desperto...E o tempo se rói com inveja de mim, me vigia querendo aprender, como eu morro de amor prá tentar reviver...
(Insonia de domingo: cigarros, coca, los hermanos, belchior, nana caymme, eu e outros cositas más! Eis a mistura)