


Quinze dias. Cinco mil kilometros. Nove cidades.
Eu dormi em camping, pousada, hotel, casa. Em cama, carro, praia, chão, barraca. Eu comi as mais diferentes comidas, em gosto e mais ainda em preço. Fui do acarajé a pizza. Da carne de sol a tapioca.
Perdi a conta de quantas praias fui. De água verde, azul, transparente e até marrom (Alias, lá tinha Iemanjá?). Praias com ondas, sem ondas, rodeada de coqueiros, de prédios, desertas, semi-desertas e nenhum pouco desertas. Águas quentes, frias, e muito geladas.
Dancei axé mesmo sem conhecer nada, fingi que gostava de trance, senti alivio quando ouvi rock e MPB, e até dei uma de forrozeira.
Entrei em igrejas históricas, uma até rodeada de ouro. Falei com Deus e com todos os santos. Me enchi de guias, contas e patuás. Conversei com todos os orixás. Meu caminho foi bordado à fé. Me vi coberta de um sincretismo religioso, um caldeirão de crenças por todos os lados.
Andei por ladeiras intermináveis (ou seriam pirambeiras?), por trilhas cobertas de verde, corri na areia, bati de frente com o vento.
Caminho das águas. Traineira, catamarã, escuna, e até em balsa com o carro dentro. Fui de uma cidade a outra dentro do carro, que estava no mar. Sim, isso é possível.
Fiquei na frente de 50 mil pessoas num Festival de verão, e até na globo apareci cantando ''se um dia eu pudesse ver meu passado inteiro, mas só chove, chove'' e acredite: nessa hora choveu MUITO. Benção? Num outro dia de Festival me vi no meio de um camarote, superlotado de pessoas bonitas e de todos os lugares do Brasil. Troquei histórias com mineiros, baianos, paulistas, gaúchos... Si yo hable en español. Os argentinos também estavam por toda parte. (Yo me enamore por essa chica, me enamore!)
Tive experiências animais. Literalmente! Me peguei apreciando tartarugas, reparando tubarões e passando a mão numa arraia.
Brinquei de pular na cama até perceber que frentistas do posto em frente olhavam admirados.
Fui as mais diferentes noites possíveis. Consegui achar uma boate em plena Bahia. (Peraí amiga, essa boate é gay!) Faz parte...
Ziguezagueei entre sobriedade e porres homéricos. Bebi os mais diferentes líquidos alcoólicos, e por malandragem da idade, sem passar mal e lembrando sempre de tudo (lei numero um das galudas).
Fiz a dança do siri no meio de uma estrada de terra, criei milhões de personagens, joguei sinuca com uma platéia admirada (eu heim, aqui mulher não joga sinuca?), me apaixonei a primeira vista durante 24 horas, descobri que Itaparica é a segunda maior ilha do país e até a rua que mora a Ivete Sangalo (ok, cultura inútil).
Caminhei kilometros na Lavagem do Bonfim, fui surpreendida por um tornado em Porto Seguro e quase fiquei pelada, levei o maior tombo da história numa cachoeira e ganhei um super roxo cheio de arranhões, adivinha aonde?
Esse foi só um breve resumo dos últimos dias... De um tempo que eu percebi que o que era certo sempre deve ser questionado. Que eu perdi tempo de mais entre sentimentos e palavras em vão, e que não valiam a pena. Que o mundo continua girando cada vez mais lindo. Que o certo nem sempre é o melhor. Que amigos são as coisas mais importantes que se pode ter. Que o amor está além do que se vê, que o futuro foi agora, e que um passado de erros contribui para um presente de acertos. Que tudo na vida deve ser recíproco. Que a solidão não existe, que decepção muda pontos inquestionáveis, que certezas são variáveis constantes. Que o sol é lindo, que a lua beija o mar, que o vento faz nos sentirmos vivos, que risadas adubam a vida. Que mau humor só nos faz andar pra trás, e mostrar ao mundo que não estamos satisfeitos com nós mesmos. Que o amor é fundamental e bonito quando oferecido à direção certa, caso contrário... Percebi que sou fera, bicho, anjo, mulher, mãe, filha, irmã, menina, deusa. Que minha força não é bruta, que não sou freira nem sou puta. Que eu dou o valor que eu quero que seja visto, e qu fiz da minha vida minha eterna namorada.
Só o que é bom dura tempo o bastante pra se tornar inesquecível.
Em breve mais comentários, fatos, e conclusões.
Agora o sono é pesado, afinal dias sem dormir na minha cama e sozinha...
VOLTEI.
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